A defesa ofensiva e educada
Quase todos os vizinhos falam mal de Daniel só porque ele fuma maconha. Ninguém o conhece, mas simplesmente por ele consumir tal substância enteógena o acusam de marginal e fora da lei.
Tem dois anos que o filho do meu vizinho fuma maconha, mas esse vizinho prefere olhar para fora do que para dentro de sua própria casa, prefere falar mal do maconheiro Daniel, mas não quer acreditar que os olhos avermelhados e baixos e a famosa “larica” não é a maconha que está causando estes efeitos em seu filho.
- Lá vai o maconheiro safado que sustenta o tráfico – disse um vizinho uma vez quando Daniel passou.
Ele ouviu a ofensa e não queria levar aquela sem dar uma resposta à altura. Parou! Olhou para um lado, olhou para o outro e não viu nenhum ser além dele, então voltou para este cidadão dizendo calmamente:
- Primeiro, eu não sou maconheiro! Sou um cannabicista, um homem que estuda sobre cannabis sativa, que é o nome cientifico da maconha. Segundo – nisso o vizinho que havia ofendido ou tentado ofender parecia está receoso com a atitude do cannabicista; - você deveria respeitar mais as pessoas, pois lhe digo com todo respeito, a sua atitude foi mais safada do que você tentou me classificar. E terceiro, sustento o tráfico sim, sabe por quê? Porque gosto demais dessa planta e ninguém tem o direito em dizer o que posso ou não consumir. O governo quer proibir uma coisa que não pode!
E saiu sem mais dizer uma palavra.
Ao voltar para sua casa à noite, encontra seu vizinho sentado numa cadeira de balanço, que quando os olhos se cruzaram o vizinho cara de pau e talvez doente mental, exclamou:
- Lá vai o cannabicista!
Daniel escutou, viu que ele aprendeu, lhe desejou boa noite com um belo sorriso – daqueles de pessoas felizes – no rosto e foi para sua casa, quem sabe tocar fogo num cigarro de bob...